Venezuela reduz jornada do setor público para "acalmar" crise elétrica
A Venezuela reduziu a jornada de trabalho no setor público para "acalmar" a crise elétrica, anunciou nesta quarta-feira (12) a presidente Delcy Rodríguez durante a assinatura de um acordo com a empresa privada argentina IMPSA para concluir uma usina hidrelétrica.
A Venezuela registra os maiores picos de consumo em quase uma década, o que obriga a realizar racionamentos que geraram protestos nas últimas semanas em vários estados.
Rodríguez afirmou que, na terça-feira, a demanda disparou para 15.726 megawatts, diante de uma disponibilidade de cerca de 12.000 MW, até agora a maior de 2026.
"Temos as maiores demandas, as temperaturas mais altas, o calor mais intenso, justamente decorrente da emergência climática", afirmou Rodríguez ao assinar um acordo para concluir a usina hidrelétrica de Tocoma, no estado de Bolívar (sul).
A presidente interina explicou que "a administração pública está trabalhando dia sim, dia não: um dia se trabalha e um dia não se trabalha".
Mas agora a jornada de trabalho foi reduzida pela metade e vai das 8h às 12h30, exceto nos serviços essenciais, como a saúde.
"O plano de economia é justamente para poder acalmar a demanda enquanto avançamos na recuperação de mais megawatts para o sistema, de um sistema que tem sido muito demandado, não apenas pela situação climática, mas também pelo crescimento econômico", afirmou.
Além do acordo com a IMPSA, a presidente interina, que governa sob forte pressão dos Estados Unidos, assinou acordos com a General Electric para aumentar a geração de eletricidade.
Os apagões se prolongam nas regiões do interior da Venezuela há anos, algo que especialistas atribuem à má gestão do setor elétrico e à falta de manutenção da rede.
Até agora, os cortes de energia não atingiam Caracas, mas, nas últimas semanas, alguns foram registrados na capital.
(F.Allen--TAG)