Indicadores levantam dúvida sobre valorização da TAP desde 2024
Se a TAP fosse vendida em 2024, mantendo tudo o resto constante, poderia valer mais do que em 2026? Não é uma questão de retórica!
Se a TAP fosse vendida em 2024, mantendo tudo o resto constante, poderia valer mais do que em 2026? Não é uma questão de retórica! Eu acho que sim, e estou apenas a basear esta tese nas declarações do governo. O ministro das Finanças justifica o valor de venda da empresa através de um múltiplo do EBITDA, ou seja, atribuiu-lhe um valor correspondente a um determinado número de vezes os seus resultados operacionais. Vejamos então. Em 2023 a TAP obteve um lucro recorde de 177 milhões de euros e em 2024 o lucro foi de 57 milhões de euros. Entre 2022 e 2025, acumulou 300,7 milhões de lucros. Mas, 2025 foi o ano de menor resultado líquido: 4,1 milhões. O ano 2025 foi mesmo o ano com menos resultados líquidos e menos EBITA, desde 2022. Os lucros caíram 94% e os resultados operacionais ficaram 15% piores em relação a 2024. adicionalmente, em 2025, a estrutura de custos da TAP deteriorou-se com um aumento de 7,9% dos custos com pessoal e o custo operacional por lugar-quilómetro avançou!
Durante o decorrer de 2026, no primeiro trimestre, observou-se um aumento de 18,9% do custo com combustíveis, pressionando os resultados da empresa, em plena decisão da “operação Lufthansa”. Por outro lado, se olharmos para os múltiplos do setor gerado no mercado, a média em 2024 desse indicador é superior a 2025. Com este quadro, e assumindo que o processo de privatização poderia ser lançado no final de 2024, com os mesmos requisitos, e que os potenciais compradores já tinham, na altura, interesse na empresa, então, provavelmente, o valor da TAP seria maior do que em 2026. Para que serve este exercício especulativo? Para muito pouco, apenas para desmascarar a absoluta desonestidade do governo, e em particular do ministro das finanças, que teve o desplante de dizer numa entrevista, no canal público de televisão, que o Plano de Reestruturação, desenhado, negociado e executado pelo governo do PS, pouco teve a ver com a valorização da TAP!
Se é verdade que perante as evidências tiveram de assumir o óbvio: sem a intervenção do PS e do Pedro Nuno Santos não teríamos TAP, nem negócio com Lufthansa, nem brilharete para o Governo. Mas, igualmente é verdade, que o fizeram acabrunhados e procurando esconder a bondade e a coragem da decisão política de salvar a TAP em 2020. Como se essa manhosice já não fosse insuportável, ainda ensaiaram uma fantasia: o valor da TAP foi significativo porque introduziram mudanças na reestruturação (Sarmento até diz que fez outra reestruturação!). conforme o MF foram estes berloques indecifráveis que adicionaram valor à TAP. Não foi a capacidade de gerar resultados, a dimensão operacional ou uma estrutura de custos enxuta na sequência da reestruturação. Foram os berloques decorativos do Sarmento que adicionaram valor à companhia. Um festival de propaganda pueril. Todos nos lembramos das sucessivas declarações do PSD, do primeiro-ministro, do ministro das Infraestruturas, mas igualmente do ministro das Finanças, entre outros, que tudo fizeram para destruir e afundar a reputação da empresa. Passaram das declarações inflamadas de “crime político e financeiro” para uma euforia desavergonhada, afirmando de boca cheia, com indisfarçável regozijo, do mesmo tamanho do desplante, o que sempre negaram e criticaram vergonhosa e ostensivamente. Acabaram, assim, a concluir com a “mesma cara de pau” que, afinal, os contribuintes podem mesmo recuperar a totalidade do financiamento. Extraordinário. Quem os viu e quem os vê!
(K.Jones--TAG)