Documentário retrata a vida privada de figura do Vale do Silício condenada por fraude
A intimidade de Elizabeth Holmes, fundadora de uma startup do Vale do Silício caída em desgraça, será exibida em um novo documentário filmado durante os 34 dias que antecederam sua prisão.
Holmes era a CEO da Theranos, que afirmava ter desenvolvido a tecnologia para realizar exames médicos a partir de amostras de gotas de sangue.
A jovem atraiu para seu projeto poderosos investidores, entre eles empresários do calibre de Carlos Slim e Rupert Murdoch e políticos como Henry Kissinger.
Mas sua queda foi igualmente vertiginosa: em 2022, ela foi condenada a onze anos de prisão por acusações de fraude e conspiração após um julgamento altamente midiático.
O escândalo foi acompanhado de perto pela imprensa e registrado em um livro, vários podcasts e na minissérie "The Dropout", protagonizada por Amanda Seyfried. Mas Holmes se afastou dos holofotes, razão pela qual este documentário, "You Can See Everything", que a filma em casa ao lado do companheiro Billy Evans e de seus dois filhos, surpreendeu em setembro quando foi apresentado no Festival de Telluride, nos Estados Unidos.
De acordo com seus diretores, Nathan Fielder e Lance Oppenheim, Holmes iniciou conversas com a produtora A24 sobre a possibilidade de documentar seu dia a dia e, após algumas reuniões, acabou convidando-os para sua casa na Califórnia.
O resultado é uma mistura de documentário com programa de reality show que arrancou gargalhadas, suspiros e aplausos em Los Angeles durante uma sessão especial realizada na terça-feira, à qual compareceram celebridades como Zach Cregger, Hannah Einbinder, Meg Stalter, Aziz Ansari e Hasan Piker.
Em um bate-papo após a exibição do filme, que estreia em 16 de outubro nos Estados Unidos, os diretores descreveram a experiência como "triste e difícil", mas sobretudo confusa, a ponto de tanto eles quanto os membros da equipe registrarem de forma distinta um mesmo diálogo ou acontecimento.
"Ainda estamos tentando entender", disse Fielder. "Acho que até agora não tenho certeza do que foi que vivi, e essa é uma das razões pelas quais me deixa empolgado que o filme estreie e mais pessoas o vejam (...) talvez assim possam me ajudar a entender um pouco".
- "Contato visual muito intenso" -
Oppenheim disse que nem Holmes nem Evans estavam muito familiarizados com seu trabalho quando lhes abriram as portas. Fielder, diretor da série documental "O Ensaio", diz que "nunca houve muita explicação" sobre por que foram escolhidos para contar a história.
"Ou por que passar o último mês de liberdade em uma década com este cara (...) Gosto de pensar que sou uma boa pessoa, mas mesmo assim, eu não me escolheria", brincou.
Fielder é uma presença constante no documentário, que usa sequências em close que o mostram frente a frente com Holmes. Os confrontos entre Holmes e Fielder agitaram as redes sociais quando a A24 divulgou as primeiras imagens do aguardado documentário.
"Você pode ver que ela mantém um contato visual muito intenso, e chega um ponto em que eu me sentia incomodado porque parecia que ela não ia parar. Então eu baixava a cabeça ou desviava o olhar", comentou Fielder, que acabou decidindo encará-la para não "estragar o momento".
Os diretores disseram que a convivência gerou tensões e que Evans tentou exercer controle sobre a produção, mas que nunca foram expulsos da casa. Nem Holmes, que ainda está na prisão, nem Evans viram a versão final, afirmaram.
(B.Smith--TAG)