Bolívia prende procurador-geral acusado de vínculos com o narcotráfico
A polícia prendeu na quarta-feira (30) o procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, dois dias após o governo dos Estados Unidos cancelar seu visto por supostos vínculos com o narcotráfico, informou à AFP uma fonte do governo boliviano.
"Está confirmada a detenção do procurador Mariaca", declarou de forma sucinta uma fonte do Ministério de Governo (Interior), que preferiu não revelar a identidade.
Também foi detido Alberto Zeballos, promotor de Santa Cruz, outro sancionado por Washington, segundo a imprensa local.
Ambos foram incluídos nesta semana em uma lista do Departamento de Estado americano de vários funcionários públicos e empresários da Bolívia, Colômbia e Equador, acusados de corrupção, vínculos com o narcotráfico ou de conspirar contra seus respectivos governos.
As autoridades bolivianas não informaram os motivos da detenção, nem com base em qual ordem de captura atuaram na quarta-feira.
Mariaca e Zeballos foram detidos no aeroporto de Viru Viru, na cidade de Santa Cruz, segundo a imprensa local.
A polícia também efetuou uma operação de busca e apreensão na quarta-feira nas instalações da sede central da Procuradoria em Sucre, no sul do país.
"Denunciamos diante de toda a população boliviana a intervenção que está sendo feita de maneira ilegal", disse Claudia Pardo, diretora de Comunicação da Procuradoria, enquanto ela e vários de seus colegas estavam cercados por policiais encapuzados, segundo um vídeo publicado nas redes sociais.
A Procuradoria de Santa Cruz (leste) também foi alvo de uma operação da polícia.
O governo dos Estados Unidos afirmou no início da semana que Mariaca recebeu "subornos para facilitar o narcotráfico e ajudar criminosos violentos a escapar da justiça".
O procurador-geral negou na segunda-feira as acusações e afirmou que a decisão de retirar seu visto é um ato de "interferência e pressão política" em consequência de suas investigações.
Durante a gestão de Mariaca, a polícia da Bolívia capturou, em março, o narcotraficante uruguaio Sebastián Marset, que posteriormente foi expulso com apoio da DEA (agência americana de combate às drogas) para os Estados Unidos.
A imprensa local divulgou na quarta-feira um vídeo em que Marset aparece no dia de sua detenção, ao lado de policiais de elite em sua residência, supostamente afirmando: "Mariaca é meu amigo". A AFP não conseguiu verificar a autenticidade do vídeo.
Seu gabinete também investiga, por tentativa de feminicídio, enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, entre outros supostos crimes, o consultor argentino Fernando Cerimedo, ex-assessor do presidente boliviano Rodrigo Paz, que colaborou com diversas campanhas de políticos de direita na América Latina.
O governo de Paz busca estreitar laços com os Estados Unidos. Em março de 2026, aderiu ao Escudo das Américas, a aliança de governos de direita para combater o crime organizado transnacional, liderada pela administração de Donald Trump.
(T.Martin--TAG)