"Espero que tenha algo italiano no menu", diz piloto da Artemis III
Luca Parmitano, piloto da missão Artemis III, que vai testar dois módulos lunares perto da Terra em 2027, mostrou-se honrado com a responsabilidade de operar a nave, e espera ter a bordo não apenas a tripulação, mas também comida da Itália, sua terra natal.
Na missão Artemis II, em abril, os tripulantes da nave Orion puderam desfrutar de brisket texano e tortillas. Um pote de Nutella, doce de origem italiana, apareceu flutuando durante uma transmissão ao vivo do espaço.
"Se me lembro bem, na Artemis II também tinha um creme de chocolate italiano muito famoso. Então, sim, espero que apareça alguma coisa italiana no menu, e nem preciso dizê-lo, porque a culinária italiana é um tesouro da Unesco. Todos querem comida da Itália", afirmou Parmitano à AFP.
O italiano, 49, já foi piloto de testes da Força Aérea de seu país, antes de chegar ao posto de coronel. Em 2009, foi selecionado como astronauta da Agência Espacial Europeia (ESA). Concluiu duas missões a bordo da Estação Espacial Internacional e realizou caminhadas espaciais complexas.
- Responsabilidade e humildade -
Parmitano é o piloto principal da nave, uma responsabilidade que divide com o comandante Randy Bresnik. "Ambos somos pilotos de testes, e a nave precisa de uma tripulação de duas pessoas para operar, então dividimos as responsabilidades. Isso vale para qualquer nave espacial com um comandante e um piloto", explicou.
"Sinto-me honrado por ter sido escolhido para este posto. Foi inesperado, porque eu não sabia que estava entre os candidatos. Sinto-me muito honrado, mas também muito humilde diante da tarefa que temos pela frente. É uma missão muito complexa", disse Parmitano.
Pai de duas filhas, o piloto ostenta com orgulho o emblema da ESA e a bandeira da Itália em seu uniforme. "Somos parceiros fortes. Somos parceiros líderes. Quando a Nasa escolhe um astronauta europeu como piloto, ela envia uma mensagem forte de que a nossa liderança é entendida, de que a nossa cooperação é valorizada e de que o nosso conhecimento técnico, tanto em nossas construções - porque a Europa constrói parte da nave - quanto em nossa equipe, é sólido", ressaltou.
Durante a entrevista coletiva de apresentação dos quatro tripulantes, Parmitano agradeceu aos seus colaboradores e à sua família. Ele se referiu à Itália como sua "plataforma de lançamento" para o espaço, e à ESA como uma ponte.
- Tripulação multicultural -
Parmitano contou que já conhecia profissionalmente seus colegas de missão, e saudou o multiculturalismo da equipe, que inclui os americanos Andre Douglas e Frank Rubio, este último de raízes salvadorenhas.
"Criamos um vínculo assim que soubemos que havíamos sido designados para esta missão, e também com nosso membro da tripulação de reserva. E acredito que deixar que nossas individualidades venham à tona enriquece a tripulação em geral", destacou o piloto.
"Todos nós estávamos mostrando nossa individualidade, nossa procedência, e concordamos desde o início, sem pretender dizê-lo, que a diferença traz diversidade e enriquecimento", acrescentou Parmitano.
(A.Thompson--TAG)