Lula e Flávio Bolsonaro medem forças no primeiro turno das eleições presidenciais
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) medem suas forças neste domingo (4) no primeiro turno das eleições presidenciais.
Com quase 81 anos, Lula busca um quarto e último mandato e adverte que a soberania do Brasil está em jogo diante da pressão do presidente americano Donald Trump, que amplia sua área de influência na região com governos de direita na Argentina, no Chile e Peru.
Flávio Bolsonaro, de 45 anos, foi designado candidato por seu pai, o ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão por tentar dar um golpe de Estado contra Lula em 2022.
Muitos brasileiros lamentam ter de escolher entre nomes repetidos e optam por aquele que menos os desagrada.
Oscarina de Oliveira, de 62 anos, cuidadora de idosos, disse no Rio de Janeiro que sempre votou em Lula, mas, ao chegar ao local de votação, mudou de ideia para ver o que acontece.
A última pesquisa do instituto Datafolha prevê que nenhum dos candidatos alcançará a metade mais um dos votos, percentual necessário para vencer neste domingo. Nesse caso, um segundo turno será realizado em 25 de outubro.
- Polarização -
Os eleitores deverão escolher entre "o fortalecimento do regime democrático ou a barbárie", disse Lula após votar no estado de São Paulo.
Flávio Bolsonaro afirmou, no Rio, que quer "libertar o povo brasileiro", porque o Brasil "não aguenta mais tanto sofrimento, tantos impostos altos, tantas mulheres mortas".
Lula conta com sua base eleitoral no Nordeste e entre os eleitores de baixa renda, os católicos e as mulheres.
Thifany Simoes, de 23 anos, esquerdista que votou no mesmo colégio eleitoral de Lula, disse à AFP que quer um Brasil com muitos direitos para a população e direitos humanos.
Bolsonaro lidera no Sul, entre os mais ricos e os evangélicos.
"Estamos votando no Flávio Bolsonaro pra não votar no PT", disse em Brasília o advogado Raphael Machado, de 45 anos.
Cerca de 160 milhões de eleitores estão aptos a votar. As seções abriram às 08h de Brasília vão fechar às 17h. Logo a seguir começará a apuração dos votos registrados nas urnas eletrônicas.
- Continuidade ou mudança -
Até o momento, Trump não declarou explicitamente apoio a Flávio Bolsonaro. Mas vem usando tarifas e sanções para pressionar Brasília, desde que seu aliado Jair Bolsonaro foi julgado.
Nos comícios de Flávio Bolsonaro, alguns de seus apoiadores agitaram bandeiras americanas e imagens de Trump.
Victor Jorge Martins, organizador de eventos de 25 anos, disse que apoia Lula por ser a favor dos pobres e teme que Flávio 'venda' o Brasil aos estrangeiros.
Em poucos meses, o discreto senador conseguiu alcançar Lula nas pesquisas, mesmo sendo investigado por corrupção no financiamento de um filme biográfico sobre seu pai.
Ele prometeu pulso firme contra a insegurança, assim como austeridade fiscal em meio ao aumento da dívida pública.
"Precisamos de mudança. No local onde trabalho acontecem muitos assaltos. O mais importante é exatamente a nossa segurança", disse na mesma seção Babiliana Figueira, bombeira civil de 40 anos.
- "Que defenda a natureza" -
Há quatro anos, derrotou Jair Bolsonaro por apenas 1,8 ponto percentual em uma eleição tumultuada que degenerou no ataque às sedes dos Três Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023, por parte de bolsonaristas.
Durante o terceiro mandato de Lula, a inflação se manteve sob controle e o desemprego caiu, mas os brasileiros reclamam do alto custo de vida e se mostram cansados da criminalidade.
Também houve uma redução drástica do desmatamento na Amazônia.
"Nós, indígenas, sofremos muito com os impactos ambientais (...) Então é importante escolher um candidato que defende o nosso território, defenda a natureza", disse à AFP Tainara da Costa Cruz, 22 anos, indígena da etnia Kambeba da comunidade Três Unidos, na margem do Rio Negro, perto de Manaus, no Amazonas.
(P.Davis--TAG)