Irã mantém condições para reabrir Estreito de Ormuz
O Irã insistiu, neste domingo (27), em manter suas condições para reabrir o Estreito de Ormuz, apesar de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter rejeitado uma proposta de Teerã para restabelecer a navegação nessa via marítima estratégica.
O bloqueio mantido pelo Irã no Estreito de Ormuz e seu impacto sobre o preço global da energia se tornou um ponto central do conflito entre Teerã e Washington, que começou no fim de fevereiro com os ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica.
"Nossas condições são claras, e qualquer movimento para reabrir o Estreito de Ormuz depende do cumprimento dessas condições. Não recuaremos", declarou o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, citado neste domingo pela televisão estatal.
"Nunca fechamos a porta à diplomacia ou às negociações, mas, ao mesmo tempo, nunca abrimos mão de nossos direitos", acrescentou.
Na sexta-feira, o Irã havia anunciado que apresentou uma proposta aos Estados Unidos para reabrir Ormuz em um prazo de sete dias, contados a partir de sua validação.
O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, havia especificado que a proposta foi elaborada "em coordenação" com o guia supremo, Mojtaba Khamenei, última instância nas decisões da República Islâmica, e que havia sido criada uma equipe de seis membros com "poder para tomar decisões".
Mas o presidente americano declarou a jornalistas no sábado que descartou a proposta e afirmou que os dirigentes iranianos "querem chegar a um acordo (...) porque estão perdendo terreno de forma estrondosa".
O embaixador americano na ONU, Mike Waltz, argumentou ao canal CNN que os iranianos pediam "tudo adiantado com a promessa de que depois estariam dispostos a negociar".
- "A guerra não terminou" -
O comandante em chefe do Exército iraniano, Amir Hatami, advertiu que os Estados Unidos devem se preparar para mais ataques contra seus interesses na região.
"A guerra não terminou. Obtivemos a vitória, mas devemos protegê-la", declarou Hatami, citado neste domingo pela agência estatal de notícias IRNA. "O inimigo agressor sofreu duros golpes, mas deve estar preparado para receber novos ataques devastadores", disse.
Após a retomada dos combates no Iêmen, que afetam o fornecimento de petróleo no Golfo, o ministro das Relações Exteriores saudita, Faisal bin Farhan, afirmou no sábado, na Assembleia Geral da ONU, que a estabilidade regional "está diretamente ligada à segurança energética mundial".
A Arábia Saudita, maior exportador mundial de petróleo bruto, foi gravemente afetada pelas perturbações nos estreitos de Ormuz e Bab al-Mandeb e rejeitou que "qualquer parte utilize estas rotas vitais como ferramenta de pressão".
Antes de Trump rejeitar a proposta, o chanceler iraniano declarou que as medidas que os Estados Unidos devem tomar "já constam no protocolo de acordo" assinado em junho com Washington, que tinha como objetivo pôr fim ao conflito, reabrir Ormuz e, posteriormente, negociar o programa nuclear iraniano, mas acabou naufragando devido a divergências em torno do estreito.
O protocolo prevê o desbloqueio e o pagamento de ativos iranianos congelados — estimados em pelo menos 12 bilhões de dólares —, bem como a suspensão das sanções sobre o petróleo iraniano.
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(N.Miller--TAG)