UE renova sanções contra Moscou, mas concorda em isentar dois oligarcas russos
A União Europeia concordou, nesta terça-feira (22), em prolongar suas sanções contra a Rússia ao aceitar a contragosto, e apesar das críticas da Ucrânia, as exigências da França e de Luxemburgo, que conseguiram retirar dois oligarcas de sua lista.
A apenas algumas horas do prazo final, os representantes dos 27 países renovaram as sanções da UE contra cerca de 3.000 indivíduos e entidades acusados de apoiar a guerra da Rússia contra a Ucrânia.
No entanto, dois oligarcas ficarão isentos: os empresários Alisher Usmanov (que também tem nacionalidade uzbeque) e Mikhail Fridman, informaram duas fontes diplomáticas à AFP.
A Letônia concordou em se abster para permitir o acordo, após se opor categoricamente à remoção dos nomes desses oligarcas, acrescentaram as fontes.
Usmanov, um magnata do setor de metais, e Fridman, um empresário do setor bancário, foram incluídos na lista de sanções pouco depois da invasão russa da Ucrânia em 2022 porque, segundo a UE, suas empresas proporcionam receitas importantes ao Kremlin.
A Ucrânia criticou a decisão e instou os países do bloco a impor sanções nacionais contra eles.
"A decisão de retirar Usmanov e Fridman da lista é vergonhosa e injustificada. Moscou está feliz por ter obtido o que queria: um sentimento de impunidade, a humilhação da UE e a divisão entre os europeus", declarou o ministro das Relações Exteriores ucraniano, Andrii Sibiga, nas redes sociais.
"Faço um apelo a todos os Estados-membros da UE para que anunciem desde já que imporão suas próprias sanções nacionais a esses dois indivíduos", acrescentou.
Embora oficialmente o governo francês justifique sua demanda de suspensão das sanções contra Usmanov por motivos de "segurança nacional", segundo o Financial Times o pedido está vinculado a um possível acordo de libertação de cidadãos franceses detidos no Azerbaijão.
Por sua vez, Luxemburgo pede a retirada de Fridman da lista. O magnata reclama 15 bilhões de euros (17 bilhões de dólares, 86 bilhões de reais) do país por ter congelado seus ativos com base nas sanções da UE.
As autoridades luxemburguesas temem que, se apenas Usmanov for retirado da lista e não Fridman, isto conceda argumentos jurídicos favoráveis ao empresário na disputa judicial.
O objetivo da UE é prorrogar por três anos as sanções contra quase 3.000 pessoas e entidades vinculadas à guerra na Ucrânia.
- "Inaceitável" -
Para o chanceler ucraniano, a retirada das sanções contra empresários considerados próximos ao Kremlin "envia um sinal equivocado a Moscou em um momento em que a pressão deve aumentar".
O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, agradeceu à Letônia por "manter a frente jurídica contra a guerra de agressão contra a Ucrânia".
"Cada crime contra os ucranianos que vivem em paz tem um nome. E enquanto esta guerra continuar, os nomes devem constar nas listas de sanções", escreveu nas redes sociais.
A Rússia pediu, ao contrário, o fim das sanções contra todos os empresários russos. "Consideramos que as sanções devem ser retiradas, tanto para Usmanov quanto para Fridman e para todos os empresários russos, assim como para todos os cidadãos russos", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, pediu na segunda-feira aos países-membros que mantenham as sanções contra a Rússia e disse que constituem "um pilar central de nossa resposta à guerra russa", para impedir o financiamento do conflito.
"Precisamos dessa estabilidade", declarou Kallas a jornalistas durante a Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
A lista da UE inclui sanções a figuras importantes como o presidente russo, Vladimir Putin, e o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov.
(O.Robinson--TAG)