Houthis acusam Riade de ataques e são chamados de 'milícia terrorista' por rei saudita
Os houthis do Iêmen acusaram Riade de realizar ataques contra um porto no Mar Vermelho nesta terça-feira (22), enquanto o rei Salman da Arábia Saudita os classificou como uma "milícia terrorista" que tem como alvo a cidade sagrada de Meca.
A tomada da costa iemenita do Mar Vermelho pelos houthis deixou centenas de mortos e desperta temores quanto ao comércio e à navegação mundial através do essencial Estreito de Bab el-Mandeb.
Nesta terça-feira, a ONU alertou que o número de deslocados pode aumentar dos aproximadamente 130.000 atuais para mais de 230.000 nos próximos meses.
A conquista de território pelos houthis reforçou o Irã e seus aliados em duas rotas marítimas: Bab el-Mandeb e o Estreito de Ormuz, ambas muito importantes para o trânsito de hidrocarbonetos.
A Arábia Saudita, que apoia o governo do Iêmen reconhecido por boa parte da comunidade internacional, tenta conter seu avanço.
O rei Salman da Arábia Saudita, que aos 90 anos não costuma aparecer em público, condenou "a nova tentativa da milícia terrorista houthi de atacar Meca" e considerou que se tratava de "uma provocação aos muçulmanos de todo o mundo", segundo a imprensa estatal.
Riade acusa os combatentes pró-Irã de terem realizado um ataque contra Meca nesta terça-feira.
A retomada das hostilidades no Iêmen afeta fortemente o principal exportador mundial de petróleo, com uma forte queda do tráfego em Bab el-Mandeb.
Esta via, que conecta a Europa à Ásia pelo mar Vermelho e pelo Canal de Suez, era fundamental para o reino desde que o Irã bloqueou Ormuz, do outro lado da Península Arábica.
- Civis mortos no Iêmen -
Riade não conseguiu fazer com que os houthis recuassem, apesar dos bombardeios diários em áreas do Iêmen que controlam.
Ataques aéreos contra a cidade portuária de Moca mataram seis civis, incluindo duas crianças e uma mulher, segundo os combatentes pró-Irã.
Os houthis também anunciaram a morte de uma mulher e de seu filho em ataques no noroeste do país, assim como a de nove detentos em uma prisão.
Este grupo iemenita continua, por sua vez, com seus ataques ao reino saudita, afirmando ter como alvo infraestruturas energéticas e militares.
- Apoio de Paris e Londres -
Preocupado com uma "instabilidade econômica mundial", o G7 expressou sua "plena solidariedade" ao governo iemenita e à Arábia Saudita, e instou os houthis a cessar seus ataques.
Neste contexto, uma fonte diplomática declarou à AFP que a França está "disposta a contribuir" para a segurança das infraestruturas energéticas. "Em nenhum caso se trata de participar do conflito com os houthis", afirmou.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, concordou em fornecer apoio logístico militar a Riade, segundo vários meios de comunicação.
O presidente do conselho presidencial iemenita, respaldado pelo governo saudita, pediu apoio aos Estados Unidos durante um telefonema com o presidente Donald Trump no domingo, assegurou na segunda-feira à AFP uma fonte de seu entorno.
Trump expressou sua solidariedade a Rachad al-Alimi, mas não prometeu apoio militar, acrescentou a fonte.
Segundo vários meios de comunicação, o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, líder de fato da Arábia Saudita, também pediu ao mandatário americano que atacasse os houthis.
Em um discurso na segunda-feira, o líder dos insurgentes iemenitas, Abdel Malek al-Huthi, advertiu contra uma intervenção dos aliados dos sauditas, em particular Turquia e Paquistão, que em agosto assinaram o pacto de defesa com a Arábia Saudita.
A guerra no Iêmen eclodiu em 2014, quando os houthis assumiram o controle da capital, Saná, e de outras regiões, o que desencadeou, em março de 2015, uma intervenção militar liderada pela Arábia Saudita.
(J.Torres--TAG)