Presidente do júri do Festival de Veneza questiona baixa presença de diretoras
A presidente do júri do Festival de Cinema de Veneza, a atriz e cineasta americana Maggie Gyllenhaal, questionou nesta quarta-feira (2) por que apenas dois filmes dirigidos por mulheres foram selecionados para a competição neste ano.
"É evidente que existe um problema sistêmico", afirmou Gyllenhaal durante a coletiva de imprensa do júri, ao lado do diretor artístico do festival, Alberto Barbera, alvo de fortes críticas pela baixa presença de diretoras na disputa pelo Leão de Ouro.
"Realmente acredito que seja muito mais difícil para as mulheres conseguir financiamento para seus filmes. Além disso, é possível que os temas sobre os quais as mulheres, que têm uma experiência diferente de viver neste mundo, querem fazer filmes nem sempre sejam considerados grande arte. Quem decide o que é bom? Quem decide o que tem valor?", questionou.
"É uma pergunta que eu também me faço, e é legítima", acrescentou.
Dos 21 filmes que disputam o principal prêmio do festival, que começa nesta quarta-feira e termina em 12 de setembro, apenas dois são dirigidos por mulheres.
São eles "Mulher Desconhecida", da dinamarquesa Kvinde Ukendt, e o documentário "NAZA", codirigido pelos israelenses Rachel Szor e Yuval Abraham e incluído na programação de última hora.
Diante da enxurrada de críticas, Barbera argumentou que menos de um quarto dos filmes apresentados ao comitê de seleção haviam sido dirigidos por mulheres e que "a qualidade dos que vimos não era suficiente para que pudéssemos incluí-los na competição".
Embora as declarações de Gyllenhaal possam ser interpretadas como uma crítica às decisões de Barbera, a cineasta, diretora de "A Noiva!" e "A Filha Perdida", ressaltou que sua escolha para presidir o júri também é significativa.
"Realmente chego com uma pergunta: por que há tão poucas diretoras na competição principal neste ano? Mas também acho que o fato de terem me convidado para presidir o júri da competição principal depois dos dois filmes que dirigi é algo muito importante a ser levado em consideração", concluiu.
(D.Sanchez--TAG)