Jornalista da AFP que perdeu uma perna em ataque israelense será homenageada pelo CPJ
A jornalista da AFP Christina Assi, que perdeu uma perna em um ataque israelense enquanto trabalhava no Líbano, será homenageada nos Prêmios Internacionais para a Liberdade de Imprensa, informou o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) nesta quarta-feira (5).
Em 13 de outubro de 2023, o jornalista da Reuters Issam Abdallah foi assassinado e outras seis pessoas ficaram feridas, entre elas os jornalistas da AFP Christina Assi e Dylan Collins, enquanto cobriam o conflito perto da fronteira israelense.
Uma investigação independente realizada pela AFP concluiu que dois projéteis de tanques israelenses foram disparados da região de Jordeikh, no norte de Israel, perto da fronteira com o Líbano.
"Apesar de ser o ataque contra jornalistas mais bem documentado atribuído a Israel até agora, quase três anos depois ninguém prestou contas pelo ocorrido", afirmou o CPJ em um comunicado, no qual anunciou os homenageados com vistas ao evento, que será realizado em 19 de novembro em Nova York.
"Desde então, Assi tem lutado para que se faça justiça pela morte de Abdallah, defendido a segurança dos jornalistas e apoiado um programa de reabilitação para pessoas com lesões similares que mudaram sua vida", acrescentou.
Dois projéteis atingiram o grupo de jornalistas com poucos segundos de diferença, enquanto trabalhavam perto da localidade fronteiriça de Alma al Shaab, em uma área onde o exército israelense e grupos armados libaneses e palestinos se enfrentavam quase diariamente.
As conclusões da AFP foram respaldadas por outras investigações internacionais, entre elas as realizadas por Reuters, CPJ, Human Rights Watch, Anistia Internacional e Repórteres Sem Fronteiras.
O CPJ também distinguirá Carlos Dada, o jornalista salvadorenho que cofundou El Faro, o primeiro jornal digital da América Central, e receberá o Prêmio à Liberdade de Imprensa Gwen Ifill 2026.
Além disso, serão reconhecidos repórteres como Szabolcs Panyi, da Hungria, conhecido por suas investigações sobre o ex-primeiro-ministro Viktor Orbán, e Estefany Rodríguez, da Colômbia, detida em março por agentes enquanto trabalhava nos Estados Unidos.
Sai Zaw Thaike, fotojornalista do veículo independente Myanmar Now, detido em 2023 enquanto cobria as consequências do ciclone Mocha, também será condecorado.
"Os premiados deste ano exemplificam a determinação e a coragem dos jornalistas em todo o mundo", disse Jodie Ginsberg, diretora-executiva do CPJ. "Suportaram perseguição, encarceramento, exílio e vigilância simplesmente para informar. É uma honra reconhecer seu compromisso com a busca da verdade".
(O.Garcia--TAG)